Comunicação sexual: por que conversar sobre sexo pode melhorar sua vida sexual?
Você conversa sobre o sexo que você faz?
Você conversa com sua parceria sobre o sexo que vocês fazem?
Pode parecer uma pergunta simples, mas, para muitas pessoas, falar sobre sexualidade é muito mais difícil do que conversar sobre outros assuntos íntimos do relacionamento.
Falamos sobre o que queremos comer, os filmes de que gostamos, nossos planos para o fim de semana e até sobre assuntos bastante pessoais. Mas, quando chega a hora de falar sobre sexo, prazer, desejos e preferências sexuais, muitas pessoas ficam constrangidas, inseguras ou simplesmente não sabem por onde começar.
O problema é que, quando não existe espaço para uma boa comunicação sexual, podemos acabar esperando que a outra pessoa descubra sozinha aquilo que nos dá prazer.
E ninguém deveria precisar adivinhar.
Por que é tão difícil conversar sobre sexo?
A dificuldade de falar sobre sexo não acontece por acaso. O sexo ainda é cercado por tabus e aprendemos, desde muito cedo, que determinados assuntos relacionados à sexualidade devem ser evitados.

Pense, por exemplo, em uma criança fazendo uma pergunta sobre sexo. Muitas vezes, os adultos ficam constrangidos, mudam de assunto ou respondem que aquilo "não é assunto para criança".
Experiências como essas fazem parte de um processo maior de aprendizagem sobre sexualidade. Aos poucos, podemos aprender que falar sobre sexo é vergonhoso, inadequado ou algo que deve permanecer privado.
Na vida adulta, isso pode aparecer na dificuldade de falar sobre aquilo de que gostamos, sobre o que não queremos fazer ou sobre o que gostaríamos de experimentar.
Por isso, aprender a conversar sobre sexo também significa questionar alguns desses aprendizados.
Seu parceiro ou sua parceira não tem como adivinhar o que você gosta
Um dos problemas mais comuns na comunicação sexual é esperar que a outra pessoa saiba, sem que precisemos dizer, o que nos proporciona prazer.
Podemos imaginar que, se existe intimidade, amor ou atração, a outra pessoa deveria naturalmente saber onde tocar, como tocar, o que fazer e o que desejamos.
Mas ninguém tem acesso direto aos pensamentos do outro.
Mesmo quando existe muita intimidade entre duas pessoas, elas podem ter preferências, experiências e formas de sentir prazer bastante diferentes.
Por isso, uma vida sexual satisfatória não depende apenas de atração ou "química". A capacidade de comunicar desejos, limites e preferências também faz parte de uma sexualidade saudável.
"Eu queria falar, mas tenho vergonha"
A vergonha é uma das principais barreiras para a comunicação sobre sexo.
Falar sobre aquilo que desejamos sexualmente pode nos deixar vulneráveis. Afinal, estamos revelando algo íntimo para outra pessoa e podemos ter medo de sermos julgados.
"Será que ele vai achar estranho?"
"Será que ela vai pensar que eu não gostei?"
"Será que ele vai achar que não é bom o suficiente?"
Esses pensamentos podem fazer com que seja mais fácil ficar em silêncio.
Também pode existir o medo de magoar a parceria. Algumas pessoas deixam de expressar suas preferências porque têm receio de que o outro interprete aquilo como uma crítica ou rejeição.
O resultado pode ser um ciclo em que ninguém fala sobre o que gostaria que fosse diferente e ambos continuam fazendo suposições sobre o que o outro deseja.
Amor e "química" não garantem uma boa vida sexual
Outro motivo que pode dificultar a comunicação sexual é a crença de que, se duas pessoas realmente se amam, o sexo deveria simplesmente funcionar.
Mas amor não é sinônimo de compatibilidade sexual.
Duas pessoas podem se amar profundamente e ainda ter diferenças de desejo, preferências, expectativas e formas de experimentar prazer.
Da mesma maneira, a existência de "química" não significa que o casal saberá automaticamente como construir uma vida sexual satisfatória.
Uma relação sexual praze
rosa envolve aprendizado, comunicação, disponibilidade para experimentar e capacidade de respeitar os limites de cada pessoa.
Você sabe do que gosta?
Antes de pensar em como conversar com a parceria, pode ser interessante olhar para a própria sexualidade.
Você sabe responder:
O que eu gosto no sexo?
O que me proporciona prazer?
O que eu não gosto?
Existe alguma coisa que eu gostaria de experimentar?
Existe algo que faço apenas porque acho que deveria fazer?
O que eu gostaria que acontecesse mais na minha vida sexual?
Existe alguma coisa que eu gostaria de pedir à minha parceria?
Nem sempre temos respostas prontas para essas perguntas.
Muitas pessoas passaram grande parte da vida aprendendo o que "deveriam" fazer sexualmente, mas tiveram poucas oportunidades para descobrir o que elas próprias desejam.
Por isso, desenvolver uma boa comunicação sexual também pode envolver um processo de autoconhecimento.
Como começar a conversar sobre sexo no relacionamento?
Se vocês nunca tiveram esse tipo de conversa, pode ser mais fácil começar fora do contexto sexual.
Escolha um momento tranquilo, em que ninguém esteja com pressa ou emocionalmente vulnerável. Conversar sobre sexo durante ou imediatamente depois da relação sexual pode ser mais difícil, principalmente quando existe alguma insatisfação envolvida.
Também pode ajudar a falar a partir da própria experiência, em vez de transformar a conversa em uma avaliação do desempenho da outra pessoa.
Por exemplo, em vez de:
"Você nunca faz isso direito."
Você pode experimentar:
"Eu gosto muito quando você faz isso."
Ou:
"Eu me sinto muito excitada quando..."
Outra possibilidade é fazer um convite para uma experiência conjunta:
"Que tal se nós tentássemos fazer assim?"
"Nós poderíamos experimentar isso. O que você acha?"
Esse tipo de comunicação ajuda a transformar a conversa em uma construção conjunta, e não em uma lista de erros que precisam ser corrigidos.
E se eu tiver vergonha de falar pessoalmente?
Você não precisa necessariamente começar essa conversa cara a cara.
Para algumas pessoas, escrever uma mensagem pode ser mais confortável do que falar diretamente. A comunicação por texto oferece um pouco mais de tempo para organizar os pensamentos e encontrar as palavras.
Você pode começar compartilhando algo de que gosta, fazer uma pergunta ou até mesmo enviar um conteúdo sobre sexualidade que desperte seu interesse.
A tecnologia não substitui uma conversa aberta e presencial, mas pode funcionar como um primeiro passo para quem sente muita vergonha de falar sobre sexo.
Comunicação sexual também é intimidade
Falar sobre sexo não significa que existe necessariamente um problema no relacionamento.
Na verdade, poder conversar sobre desejos, limites, fantasias, preferências e dificuldades pode ser uma forma de aumentar a intimidade e construir uma vida sexual mais satisfatória.
E talvez uma pergunta importante para fazer a si mesmo seja:
Você está satisfeito com a sua vida sexual?
Mas existe outra pergunta tão importante quanto:
Você consegue conversar com sua parceria sobre o sexo que vocês fazem?
Se a resposta for "não", talvez esse seja um bom lugar para começar.
A comunicação sexual é uma habilidade que pode ser desenvolvida. E, quando vergonha, conflitos, diferenças de desejo ou outras dificuldades tornam essa conversa muito difícil, a terapia sexual pode ajudar a compreender esses padrões e construir formas mais saudáveis de comunicação, intimidade e expressão dos desejos.
Quando procurar terapia sexual?
A terapia sexual pode ser indicada quando existem dificuldades relacionadas à vida sexual, como:
dificuldade para conversar sobre sexo com a parceria;
vergonha ou ansiedade ao falar sobre desejos e preferências;
conflitos relacionados à vida sexual;
diferenças de desejo sexual;
dificuldades de comunicação no relacionamento;
insatisfação com a vida sexual;
dificuldades relacionadas ao prazer ou à resposta sexual.
Buscar ajuda não significa que existe algo "errado" com você ou com seu relacionamento.
A terapia pode ser um espaço para compreender melhor sua sexualidade e desenvolver recursos para construir uma vida sexual mais satisfatória.



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